domingo, 2 de julho de 2017

Não me interessam as hostes das odes
Nem o encanto das fantasias elegíacas.
Quanto a mim, nos versos tudo deve ser a despropósito,
Não ao modo das outras pessoas.

Se soubésseis de que porcarias
Crescem os versos sem terem vergonha,
Qual pampilho amarelo nas cercas,
Qual bardana ou celga-brava.

Grito irritado, cheiro do pez fresco,
Misterioso bolor na parede...
E já soa o verso, fogoso, terno,
Para vossa alegria, e minha.


21 de Janeiro de 1940


Anna Akhmatova
Poemas (trad. Joaquim Manuel Magalhães, Vadim Dmitriev), Relógio D'Água, 2003 (2ª ed.).

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