segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

sob um chapéu de largas listas verdes e azuis
conto, porque vi, a mais história da guerra portuguesa:
um rapaz levando o seu amigo, com menos uma perna, para o
mar, sob a areia que  o vento levemente erguia.

Escrevo um jarro de anémonas uma gravata de riscas
uns grossos aros de tartaruga.
Escrevo tudo isto em defesa do figurativo? Hockney e Kitaj
trazidos na capa da revista, não vou dizer qual é, dois corpos de
homem, um nu, outro apenas de camisola de alças peúgas negras
sapatilhas, ainda uns óculos a correia de um relógio
o sorriso sobre a tela branca.

Trazia comigo uma alegria que não morria e
vinha de haver contra o mar
as águas das piscinas,
os retratos de todos os amigos.
Flaubert Auden Isherwood Cavafy ou apenas juventude.


João Miguel Fernandes Jorge
in Obra Poética, Vol.3, Presença.

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