quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Não mais, coração,
Atravesses a passadeira.
É muito o trânsito
Quando frívolo,
De sístole em desconcerto
Caminhas.
Segue pelas ruas estreitas
E, sob as sardinheiras,
Confia à arritmia
A surpresa que bate
Cada um dos dias.


*


Sou também «poeta obscuro»
Por meticulosa embriaguez
Num bairro moderno.
Se a vertical me falha
É por hesitação
Entre a vontade histórica
De morrer
E a reincarnação no dia seguinte.
Macerado veneno ilumina
A minha boca,
Sustenta palavras desiguais
Entre o último
E primeiro comboio.
Se me inclino sobre o poema,
Desaparece o cometa.


Nunes da Rocha
in Óculos sujos, fígado gordo (&etc).

Sem comentários:

Enviar um comentário