quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Podei as sardinheiras de seis anos.
A meda dos ramos no telheiro
secou ao vagar de março,
enredou-se nos torcidos nós

aí teceram as aranhas, uma gata
pariu uma ninhada
e as milhariças negras e
castanhas com os paus de musgo

começaram por buscar insectos,
descobriram lugares aveludados,
tentaram esconder um ninho.

Línguas de ar sanguinolento
correm nos sulcos calcinados.
Nada. Nada quer dizer.


Joaquim Manuel Magalhães
in Segredos, sebes, aluviões (Editorial Presença).

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