sábado, 13 de julho de 2013

NEVE


Arde a neve na cara e nas mãos e à serra
trepo para então me confundir. Queima
a intensidade do gelo. Ferem e cortam
os cristais da neve. Quando gelam
ribeiras e os tanques ficam pedra,
os canos rebentam certas vezes: explosão
de gelo; incêndios de neve.
Arde a neve na saudade de a não ter
e já o silêncio da serra dói
de o não sentir. De novo à neve
volto e me perco nos cerros
quando a claridade cega
de tanta brancura. Impossível
serenidade: por ti espero.


Eduardo Guerra Carneiro
in Contra a Corrente, &etc

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