domingo, 21 de julho de 2013

me ajuda, roberto




Mas sempre acabo em teus braços do jeito que você quer – só que sempre ao contrário. Aí você está num bar super mal resolvido sexualmente e afetivamente e se depara com dois, três, quatro casaizinhos esteticamente incorretos e aparentemente felizes – afinal existe uma linha muito tênue entre felicidade e cerveja, por isso não vou forçar a barra. Então você marca um encontro com o suposto amor da sua puta vida em pleno final de semana do absurdo. Coitada, a gata está equivocadíssima. Mas como se não bastasse, você mantém aquele ar in extremis dos falsos profetas, fala muita merda, conspira a favor da autosabotagem e no dia seguinte corre pro banheiro pra vomitar sua humilde existência. Ficção pouca é bobagem. A vidinha anda insossa, eu não desgrudo do computador, eu gasto meus pobres míseros trocados demais, eu busco muito um filme sobre a realidade estagnada da vida na perspectiva de jovens como nós em pleno século XXI. Passo horas ao telefone decifrando pequenos dramas que se perdem no espaço. Ando perdido no lance cósmico e real da coisa. Aí o carinha disse que temos uma história, mas nossa história é para um futuro não tão próximo assim. Inclusive todos os meus brindes serão dedicados ao futuro. Mas eu me sinto horrivelmente belo.
 
 
Antônio LaCarne
 

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