quarta-feira, 26 de junho de 2013

O FIM


Sabemos que o dia se aproxima do fim
quando o balcão é preenchido pelos homens
de fato e gravata que chegam para beber cerveja


e comer moelas fritas.
Nesse preciso momento pedimos duas bicas,
já não dizemos nada, rimo-nos


dos artigos de um conhecido matutino.
Temos projectos: jantar e beber vinho,
talvez ainda o eco de uma derrota.


Não levamos muito a sério
aquilo que teria de ser cumprido.
Nada é mais importante


do que acordar no outro dia, nem o amor.
Evidentemente todo o corpo
encerra o seu mistério,


evidentemente não ousamos resistir.
Ao fim do dia conhecemos todas as desculpas
para não assumirmos a própria morte, voltar a casa.


Ao balcão todos falam,
tentam calar a evidência
de que cada dia tem um fim.


Paulo José Miranda
in A voz que nos Trai, Cotovia

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