segunda-feira, 24 de junho de 2013


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Interroga-me casual, enquanto recolhe o prato e os talheres do lugar vazio em frente: Senhor Jorge, sabe quem perguntou hoje por si? (Quem? pergunto-me) Quem? pergunto-lhe. Ninguém, responde-me. E ri contente da graça conseguida, ri comigo em gargalhada companheira. Rio-me com ele da inesperada verdade (como se pela boca da criança). Rio-me de mim, de todos nós, e sinto a ternura humilde do seu gesto (ternura anónima tão límpida). Fê-lo porque reparou no meu semblante carregado. Fê-lo porque fundo sabe sua esta verdade tão nua.
 
Jorge Roque
in Canção da vida, Averno.

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